A Casa de Sanoane d Bucos fica situada no Largo de Sanoane ou do Cruzeiro, Lugar da Portela.
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
18 de junho de 1677 — A origem das duas Casas de Sanoane: Sanoane de Riba ou de Cima e Sanoane de Baixo
A história das Casas de Sanoane, em Bucos, leva-nos muito para trás no tempo, até 18 de junho de 1677, uma data que ficou gravada na memória histórica desta terra.
Nesse dia realizou-se o casamento de Simão Delgado e Margarida Francisca, identificada nos registos como pertencente à Casa de Sanoane. Este casamento viria a assumir uma importância especial na história da família e da própria casa, pois está na origem de um novo ramo familiar que, com o passar das gerações, viria a dar lugar àquilo que o povo de Bucos passou a conhecer como a Casa de Sanoane de Riba.
A partir desse momento, a história de Sanoane começou, de certa forma, a dividir-se em dois caminhos familiares. De um lado, permaneceu a Casa de Sanoane de Baixo; do outro, desenvolveu-se a nova casa, ligada ao ramo de Simão Delgado e Margarida Francisca, Casa de Sanoane de Riba.
Não se tratava apenas de duas casas com o mesmo nome. Eram duas famílias, duas linhagens e dois espaços de vida que, ao longo dos séculos, foram construindo a sua própria história, embora permanecessem unidos pela mesma raiz: Sanoane.
Foi sobretudo a voz do povo que encontrou a forma mais simples e natural de distinguir as duas casas. Em Bucos, quando era necessário saber de que Sanoane se falava, dizia-se simplesmente “Sanoane de Baixo” ou “Sanoane de Riba”. Assim, a própria linguagem popular criou uma distinção que passou de geração em geração e que ainda hoje ajuda a compreender a história e a geografia familiar de Sanoane.
A expressão “de Riba”, tão característica da linguagem antiga e rural, significava a casa situada mais acima, em relação à outra. E foi assim, de forma espontânea, que o povo foi identificando os dois ramos: Sanoane de Baixo e Sanoane de Riba, mais tarde de Cima.
Esta distinção popular encerra, por isso, uma memória muito mais profunda do que uma simples indicação geográfica. Ela recorda a existência de duas famílias descendentes de uma mesma raiz histórica, que foram seguindo os seus próprios percursos através dos séculos.
Quando hoje pronunciamos os nomes Casa de Sanoane de Baixo e Casa de Sanoane de Cima, estamos, na realidade, a evocar uma história iniciada há mais de três séculos. Uma história feita de casamentos, descendências, trabalho, terra, família e continuidade.
18 de junho de 1677 torna-se, assim, uma data fundamental para compreender esta história. O casamento de Simão Delgado e Margarida Francisca não foi apenas mais um acontecimento familiar registado num antigo livro paroquial. Na memória histórica de Sanoane, representa um momento de continuidade e, simultaneamente, o nascimento de um novo ramo que viria a dar identidade à Casa de Sanoane de Riba.
E talvez seja precisamente esta a maior riqueza da memória de Bucos: muitas vezes, a história não ficou apenas escrita nos documentos. Ficou também na boca das pessoas, nos nomes das casas e na forma como o povo aprendeu, ao longo das gerações, a distinguir umas famílias das outras.
Assim se perpetuou, de geração em geração, uma expressão simples, mas carregada de história:
Sanoane de Baixo.
Sanoane de Riba ou de Cima
Duas casas. Dois ramos familiares. Uma mesma raiz — Sanoane.
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