sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A Macieira da Casa de Sanoane de Cima e o Menino Lourenço

Na aldeia tranquila de Bucos, havia uma casa antiga, a Casa de Sanoane de Cima, com um quintal que todos conheciam. No meio desse quintal crescia a árvore mais especial de toda a região: uma macieira enorme, de tronco largo, sombra fresca e maçãs vermelhas como o brilho de um sorriso. Essa macieira tinha fama. Diziam que ela só dava maçãs a quem tivesse o coração bondoso. O menino Lourenço, curioso e cheio de energia, adorava brincar perto dela. Todas as tardes ele corria pelo quintal, inventava aventuras e, às vezes, sentava-se à sombra da velha árvore para ouvir o vento a passar pelos ramos. Um dia, quando se aproximou da macieira, Lourenço ouviu um som muito baixinho: — “Olá, Lourenço…” O menino arregalou os olhos. — “Quem falou?” — “Fui eu…” respondeu uma voz suave. “Sou a macieira.” Lourenço ficou maravilhado. Uma árvore que falava! A macieira explicou que só falava com crianças especiais — crianças que tratavam bem a natureza, os animais e as pessoas. — “Vejo que estás sempre a cuidar de mim,” disse a macieira. “Tiras as folhas secas, afugentas os bichos que me mordem, e nunca partes os meus ramos. Por isso, quero dar-te algo.” De um dos galhos mais altos caiu uma maçã brilhante, dourada por dentro, como se guardasse o sol. — “Esta maçã é mágica,” disse a macieira. “Se a partilhares, ela nunca acaba.” Lourenço ficou tão feliz que correu para mostrar a maçã aos amigos da aldeia. Partilhou-a com todos — com a Dona Rita, que vivia sozinha; com o Tiago, que estava triste; com a sua irmã pequena, que adorava fruta. E a maçã nunca diminuía. No final do dia, Lourenço voltou à macieira e disse: — “Obrigado. Hoje fiz muita gente sorrir.” A macieira balançou os ramos, contente: — “É por isso que te escolhi, Lourenço. O mundo precisa de crianças que sabem que a verdadeira magia está em partilhar.” E desde esse dia, a macieira da Casa de Sanoane de Cima continuou a ser a árvore mais especial da aldeia — porque guardava o segredo de um menino bondoso e de uma maçã que nunca acabava.

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