sábado, 11 de abril de 2026

Homenagem a Todas e Todos de Bucos, em Especial a Custódio Henriques Braz (1920 - 1980)

Este livro é uma homenagem sentida a todas as gentes de Bucos — mulheres e homens de trabalho, de resiliência e de dedicação — que, ao longo de gerações, moldaram a identidade desta terra com as suas mãos, o seu esforço e a sua sabedoria. É também, de forma muito especial, um tributo a Custódio Henriques Braz, meu pai, cuja vida se confunde com a própria história viva de Bucos. Filho da Casa da Pereira, nasceu em maio de 1920, num tempo em que a vida era dura e a esperança se construía com fé e coragem. Cresceu entre montes e campos, embalado pelo som do rio Peio e pelas histórias antigas que o vento levava de casa em casa. Foi um de doze irmãos, muitos deles levados cedo demais, numa infância marcada pela fragilidade da vida e pela força dos laços familiares. Ainda antes de nascer, num gesto profundo de fé, foi batizado no ventre de sua mãe, Maria, junto à Ponte da Pereira — como se o destino quisesse, desde logo, protegê-lo e ligá-lo à terra que o veria crescer. Frequentou a escola primária de Bucos, onde o professor Paulo Casalta reconheceu nele um espírito invulgar: inteligente, aplicado, curioso e disciplinado. Essas qualidades acompanharam-no por toda a vida, não nos livros, mas no modo como viveu — com integridade, responsabilidade e um profundo sentido de dever. Homem da terra, abraçou a agricultura e a criação do gado barrosão, tornando-se guardião de uma tradição ancestral e de uma identidade que liga o homem à natureza. No seu trabalho havia silêncio, mas também uma dignidade imensa — a de quem conhece o valor do esforço e respeita o ritmo das estações. Casou com Ana de Oliveira Urjais, e juntos edificaram uma família na mesma Casa da Pereira onde tudo começou. Dessa união nasceram seis filhos — Maria, Manuel, Albano, José, Fernando e Alda — herdeiros de um legado feito de valores simples e eternos: o amor à família, a honestidade, o trabalho e a humildade. Custódio Braz foi um homem que nunca procurou reconhecimento, mas que deixou marcas profundas. Está presente nas terras que cultivou, nas pedras da casa que habitou, na ponte onde a sua vida foi confiada à fé, e sobretudo na memória daqueles que com ele conviveram. Foi homem de gestos firmes, grande contador de histórias; de vida discreta, mas de exemplo maior. Um homem da terra, da família e da fé. Custódio destacou-se pelo seu espírito altruísta e dedicação à comunidade, deixando um legado inestimável através de importantes doações. O seu contributo foi decisivo para o desenvolvimento local, ao ceder à freguesia o terreno onde hoje se erguem a Junta de Freguesia e a antiga escola primária, hoje, casa da lã. A sua generosidade estendeu-se à esfera religiosa. Custódio doou à Igreja a Casa do Senhor, situada junto ao adro, bem como a residência paroquial (composta por casa e horta), localizada no número 52 da Rua da Igreja. Estes gestos perduram como pilares da identidade e do património da nossa terra. É com profundo respeito, admiração e gratidão que este livro lhe presta homenagem — não apenas como pai, mas como íntegro de uma geração de homens e mulheres de Bucos que souberam viver com dignidade, coragem e coração.

Sem comentários:

Enviar um comentário