A Casa de Sanoane d Bucos fica situada no Largo de Sanoane ou do Cruzeiro, Lugar da Portela.
domingo, 11 de janeiro de 2026
Casa de Sanoane de Cima Uma casa, uma família, uma memória viva
A Casa de Sanoane de Cima, situada na aldeia de Bucos, é um exemplo significativo da arquitetura rural tradicional e da continuidade da vida familiar ao longo de vários séculos.
Mais do que um edifício, esta casa representa um testemunho material e imaterial da história local, onde espaço, pessoas e memória se entrelaçam.
As referências documentais mais antigas conhecidas surgem nas memórias paroquiais, com o registo do casamento de Simão Delgado e Margarida Francisca, datado de 18 de junho de 1677.
Margarida é identificada como “da Casa de Sanhoane”, indicação que revela a importância simbólica da casa como elemento de identidade familiar.
Embora a construção seja anterior a este registo, é a partir deste momento que a Casa de Sanoane entra na história escrita.
Em 1710, com o falecimento de Simão Delgado, na documentação, no mesmo ano, surge a referência a António Delgado, igualmente identificado como “da Casa de Sanhoane”, assegurando a continuidade da linhagem e da ocupação do espaço.
Ao longo das gerações, a casa permaneceu como ponto de referência familiar, atravessando tempos de permanência e de partida.
Arquitetonicamente, a casa apresenta características típicas da região: estrutura em pedra granítica, eira ampla associada às atividades agrícolas, alpendre de uso social e funcional, e uma escadaria exterior de trinta degraus que conduz ao piso superior.
As janelas, estrategicamente orientadas, estabelecem uma relação visual com a eira, a aldeia e a paisagem envolvente.
À frente da casa ergue-se um cruzeiro de pedra, elemento frequente na paisagem serrana, associado à religiosidade popular, à proteção simbólica do espaço habitado e à marcação do território comunitário.
O interior da habitação reflete o quotidiano rural: a sala, voltada para a eira, funcionava como espaço central de armazenamento e partilha; os quartos, de dimensão simples, abriam-se à luz e ao clima da serra; o hall superior permitia a observação do amanhecer sobre Bucos, ligando o interior da casa ao ciclo diário da natureza
.Atualmente, a Casa de Sanoane de Cima permanece ligada à família Henriques Braz, que assume a preservação do edifício, dos objetos e das memórias nele contidas. O espaço funciona como um ecomuseu de âmbito familiar, onde património material e imaterial se preservam em conjunto, valorizando saberes, histórias e modos de vida.
A Casa de Sanoane de Cima é, assim, um exemplo de como o património não se limita à construção física, mas se prolonga na memória, na identidade e na responsabilidade de transmitir às gerações futuras um legado vivo.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário